terça-feira, 16 de outubro de 2007

O TEMPO II

ja não da para voltar e, mesmo que pudesse ainda assim penso que não voltaria. não voltaria porque em primeiro lugar o tempo que me resta ainda é uma incognita e, com isso tenho medo de, voltando, perder o que ainda me resta. mas, ao mesmo tempo diante deste abismo que é a vida ora vivida pouco o quase nada me faria então a voltar. dai, resolvi de plano não voltar. não voltarei. hoje estou sozinho e não sei se deixo me levar por mim mesmo uma vez que, se eu for estarei em minha propria companhia e isso, de uma certa forma, me assusta por conhecer-me será o mesmo que desvendar a cortina de um passado que, de boas lembranças, ainda alimento meu presente e, do amargo das desilusões não gostaria mais de sentir o gosto. bem, tudo aqui no agora parece maior e, logo agora que parei para ver-me ele, o tempo, não pretende me esperar e, então, voltar além de ser, naturalmente, um retrocesso, seria encontrar comigo mesmo e, daí, não quero me ver. é isso, vou com o tempo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

VAIA

"Nestes tempos em que o inacreditável e o inesperado estripam nossa vida, levando o desalento a centenas de familias, resta-nos levar-mos em conta que, na verdade, apesar do dia a dia, do corre e corre, somos nada mais do que simples mortais a perambular por esta vida a qual, diga-se de passagem, não passa de uma pia entupida. Dorminos com o barulho grotesco do acidente da TAM enquanto nem ao menos nos recuperamos do outro acidente, com o avião da Gol. Acordamos com pessoas sendo filmadas chorando a perda de filhos, de amigos, de parentes proximos e choramos com eles. Acordamos então para a realiadade de que poderíamos ali estarmos e, como não estávamos, procuramos compensar a dor ou o medo com o suspiro de alívio levando em conta que até somos culpados por estarmos vivos. Mas, é assim mesmo. Agora as autoridades sairam à procura do culpado, irão falar em erro humano e, coitado do piloto e de seu co-piloto, pois, já que morreram podem até novamente serem sacrificados. Acontece que a verdade é bem outra e encontra-se estampada em um rosto sarcástico deste nosso amado Brasil, tão mal representado. O acidente é fruto, acreditem, da época em que vivemos em que o ser humano está relegado à uma condição de um menos que nada e, enquanto isso os que nos furtam, os que nos humilham ocupando cargos políticos de grande relevância ficam lá esperando que uma tragédia deste porte tire a atenção da cena por eles protoconizada. Não se pode permitir, portanto, que o descaso firmado pela Ministra do Turismo, o desrespeito pela ética levado em conta pelo Presidente do Senado e, pior, a surdez a mudez e a cegueira do Presidente da República passem ao largo. Se existe culpa destas ilustres figuras? É claro que não. Existem sim o dolo e em face disso é que fica aqui a minha mais calorosa vaia a todos eles, vaia esta que sai do fundo de minha alma."

domingo, 8 de julho de 2007

O TEMPO

Foi-se o tempo onde as cadeiras eram colocadas no passeio e, as pessoas lá estavam para conversarem, para esperarem os filhos voltarem das aulas. Foi-se o tempo onde o bonde parava para o menino sair da linha. Foi-se o tempo onde o pai esperava o filho de braços abertos. Foi-se o tempo onde se tomava guarapam e se chupava picolé de groselha.Foi-se o tempo onde se assistia o Nacional Kid. Foi-se o tempo onde se brincava de casinha. Foi-se o tempo onde se comprava calça Lee. Foi-se o tempo da matine. Foi-se o tempo onde se trocava revistas na filha do cinema. Foi-se o tempo do cinema. Foi-se o tempo do posso sentar com você?. Foi-se o tempo de se acreditar no papai noel. Foi-se o tempo. Assim, quando crescemos esquecemos de que a época mudou e a tecnologia ocupou o lugar daquilo que eram valores e, valores caros. O amor foi então banalizado e os sentimentos guardados na gaveta mais alta de nosso interior. Mas, o que importa é que ainda nos resta a lembrança do passado ainda não consumida pela pressa de estar em algum lugar para fazer alguma coisa. Com isso, posso dizer que em face de termos ainda lembrança somos ainda humanos e, passíveis então de sentir, como os outros animais, mas, com a diferença de que temos o livre arbítrio. Que possamos, então, buscarmos no passado a força para, não mudar o futuro, mas, sim construir um presente que possa ser a ponte para um mundo melhor.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O ABISMO

Atualmente ficamos pasmos diante do tiroteio no Rio de Janeiro, da doméstica que levou a maior surra, do senador na corda bamba, do outro senador que dividiu o pão, dos deputados que estão processados, do judiciário que se esconde debaixo da toga, dos advogados que corrompem, das cuecas, dos aviões que não chegam, do presidente que é cego e surdo, da censura dos meios de comunicação, das indenizações escandalosas dos que deixaram de ser e mesmo assim receberam, da policia que se vê impotente diante da norma legal, dos defensores públicos que estão relegados a um nada, do ministério público que se arvora no poder absoluto de que está ali para reparar o mundo, da falta de assunto e, assim vamos levando esta nossa vida e, seríamos hipócritas se deixarmos aqui o entendimento de que nada podemos fazer. podemos sim fazer alguma coisa e este é o momento quando, então, iremos até nosso vizinho para deixar ali a boa palavra. ele, o vizinho, por sua vez tocará no coração de alguém e, assim por diante iremos mudando as coisas. agora, será impossível perdoar o descaso dos outros para conosco, da ignomínia que assola esta nossa terra que de santa cruz já foi há muito tempo. meu caro leitor, não importa que estejamos sendo manipulados como de fato estamos. importa sim que não venhamos a compartilhar da falsidade daqueles que nos manipulam uma vez que é certo que amanhã o sol irá nascer, mas, para nos outros a sua luz será um conforto e, para todos aqueles que estão por ai a nos ferir será a forma concreta de coloca-los no devido lugar eis que aqueles que estão na escuridão ali irão continuar; não na caverna, mas, sim no abismo negro da própria vida.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

MOMENTOS

Existem momentos nesta vida vivida onde, por mais que eu pense o contrário, são momentos advindos do passado, mas, não o passado recente e sim o passado que ficou em outra vida. as pessoas com as quais convivo, que me encaram na rua, que se aproximam com ou sem intenções são parte daquele tempo, esquecido por força do momento em que nasci. foi assim; quando nasci deixei de lado, ao longe, tudo que fui e passei a ser o que sou levando em conta que o passado também me gerou. caminho então por estradas envoltas por uma névoa a qual, por sua vez, encobre inclusive meu espírito gelando, por vezes, minha alma. assim, o frio que vai em mim nada mais é do que fruto de minha caminhada, dos meus encontros desencontrados, partícula de uma nada que se transforma em razão. foi assim, quando nasci trouxe comigo não a lembrança do que fui, mas, sim a chama do que serei agora, nesta vida. é certo, contudo, diante da jornada fiz amigos e conquistei alguns (ou muitos) inimigos os quais, por sua vez, por uns tempo pretendi que deixassem esta vida e, outro dia, achei por bem ajuda-los a viver, pois, nada pior do que estar aqui, nesta vida a viver. com isso, creio eu, ao estarem vivendo estou certo de que aprenderão com seus erros e desencontros e, quem sabe, se tornem até pessoas boas em outra vida levando em conta que nesta a escuridão já os encobriu. não importa, pois, se vão (meus inimigos) partir ou ficar uma vez que os tenho como figuras indiferentes, seres amorfos o quais, por sua vez, construíram em sua volta um nada. mas, minha jornada toma agora um certo sentido onde algumas respostas surgem e, com isso, estou a traçar novo caminho, sem névoa e aonde as pedras existem e não são simplesmente colocadas.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

ANTES E....

Existem momentos por esta vida que passamos onde, em uma fração de segundo muda-se radicalmente todos os nossos objetivos; nossos receios; a forma de sentir e, sobretudo, de doar. em um breve momento o antes separa-se do depois e, os valores adquiridos ao longo da existência são, de pronto, colocados à prova, ou seja, passamos a medir nossas atitudes em face de nossas necessidades e, assim, a brevidade do momento que antecede o depois pode ser o marco para a radical mudança de nossas vidas. o depois nunca nos deixa de parar de pensar qual o próximo passo a ser dado, os que antes nos cercavam passam ao largo como se olhassem para pessoas que antes não conheciam. tudo porque o momento que antecedeu o depois mudou a vida e, com ela caminhamos pela mudança afora. poderia até dizer que o momento nada mais é do que a fatalidade de se estar no lugar errado e na hora errada, de agir de forma típica quando, o certo seria deixar o momento passar, mas, não é possível prever o inevitável, desvendar o absoluto sentido da vida ou, até mesmo deixar de sentir para, não sentindo, deixar de encontrar o depois. assim é a vida. não, assim não é a vida uma vez que somos parte de um cenário divino, inquestionável e onde a luz é uma constante. diante, portanto, de tal premissa acredito que o depois pode ser evitado caso o ser humano acredite, ame e permita ser amado.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

ONTEM

O tempo, este inexorável aliado do fim, não me perdoa. as lembranças do passado são carregadas por ele de forma que, mesmo sem as querer, elas se fazem constantes como que querendo alimentar meu tempo presente. inegavelmente um paradoxo posso traçar entre o agora e o que ficou e, entre todas as coisas que senti nada mudou apesar das dores, dos ressentimentos, dos desencontros e, também do encontro que até hoje dura. o nada que mudou se refere não o que posso sentir, mas, sim ao que parte de meu interior; da forma de ver as coisas e, também de fazer alguma coisa. ontem, por exemplo, ainda não passou para quem não acredita que existe o amanhã e, viver no ontem ou o ontem nada mais é do que perpetuar a dor, pois, o ser humano é moldado pela dor enquanto que fora a dor, o que existe nada mais é do que momento de candura que cobre o ser estraçalhado com o fino manto do crêr em algo aplacando, desta forma, o sentimento de perda. Posso notar, então, que o tempo não anda sozinho estando com ele a dor, o medo e a esperança sendo que esta ultima, senhora que vem de muito tempo antes de qualquer sentimento, anda com seus companheiros para, desta forma fazer com que, mesmo sentindo ainda posso sonhar ou, até mesmo lembrar.